domingo, novembro 01, 2009

3 Comments:

Blogger aquarius said...

Fímbria de Melancolia

Fímbria de melancolia,
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.

Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.

Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.

Onde então estamos nós?

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'

8:28 p.m.  
Blogger aquarius said...

Viagem

Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).

Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.

Miguel Torga, Viagem

8:44 p.m.  
Blogger Unknown said...

No direito de ser,
grito e semeio a minha dor...
Amanhã já nada resta
do último grito que é hoje
Amanhã já é tão tarde...

Imaginei palavras para o silêncio
Inventei abraços impossíveis
O meu sorriso fechou-se para balanço
Os meus lábios já não são bebíveis

Cheguei e bati bem fundo, MAS...

Depois escrevi: REAGE!
Como um náufrago escreveria TÁBUA...
E parti inteira
Rasgada em mil pedaços...

"d'Eu"

Beijo

9:47 p.m.  

Enviar um comentário

<< Home